domingo, fevereiro 25, 2007

Vidas perdidas…


Para aqueles que não vivem no isolamento de um casulo ou numa gaiola dourada, é mais ou menos comum terem contacto com seres imensamente desafortunados que falharam completamente a sua vida…
Pode ser no Metro, no chão perto de uma conduta de ar que aproveitam para dar ao corpo o calor que mais nenhum outro ser humano lhes dá ou simplesmente a vaguear pelas ruas da cidade…
Invariavelmente “as pessoas” – de tanto os colocarmos à margem, conseguimos que tanto “eles” como nós percamos a noção de que “eles” também são "pessoas" e não somente mendigos! – logo a seguir de virarem a cara e imediatamente antes de mudarem de assunto pensam: “- Coitado…”
Se formos a analisar bem até são mesmo coitados, os mendigos, os pedintes, os drogados… são coitados e miseráveis porque muitos deles estão na situação degradante em que se encontram por culpa própria, por deixarem de lutar pela vida, por baixarem os braços e desistirem… mais coitados são porque na eventualidade remota de um dia mais tarde tentarem regressar ao grupo das “pessoas” dificilmente encontrarão quem lhes abra a porta e os ajude a voltar ao mundo a que pertenciam anteriormente…
A frase que compara a vida a um “mar de rosas” tem muito significado pois podemos comparar a nossa vivência diária – desde a primeira golfada de ar até ao último suspiro! – à travessia de um Oceano a nado, quem fica exausto e desiste de nadar ou se afoga e vai ao fundo ou fica estagnado a boiar.
O que um mendigo ou um pedinte têm de pior, e que mais nos incomoda nesses seres, é a evidência de que uma linha ténue nos separa. Basta baixarmos os braços perante a vida… basta deixarmos de nadar… assim que deixamos de perseguir um objectivo ou deixamos de ter o apoio e o calor humano que nos ajuda a dar mais uma braçada, deixamos de ter um rumo a seguir e perdemos a vontade de continuar…

1 comentário:

Carlos disse...

Post, bastante interessante.

Mas por muito que não se queira confirmar, são factos que não se querem afirmam por si só, nem mesmo depois de admitido. Não é a primeira vez que oiço que somos todos seres-humanos, nem será a ultima.

É o velho dilema(errado), "antes eles que nós". Eu diria, "antes ninguém que alguém".