
Porque tenho que me deitar cedo, e no dia seguinte acordar cedo para ir trabalhar em vez de ir desfrutar as paisagens e sítios maravilhosos que existem neste mundo! Porque os seres humanos estão presos nesta armadilha chamada “sociedade” – criada por eles próprios - que é composta por selvas de betão, pela azáfama do consumismo que nos impele ao trabalho frenético que, por sua vez, nos rouba tempo para estar - só estar, mais nada do que “passar tempo com” - amigos e familiares. Porque para criar essa selva de betão destruímos o habitat natural de animais selvagens, e mesmo que eles tentem recuperar o terreno perdido são recambiados à lei da poderosa bala. A mesma bala que usamos para matarmos o nosso irmão só porque a cor da pele dele é diferente ou porque não temos a capacidade de partilhar um pedaço de terra ou água com ele, ou porque os seus ideais políticos ou religiosos não são os nossos e ele se recusa a ser convertido… é horrível que neste planeta haja seres humanos sujeitos à escravidão para eu poder dar um anel de diamante à pessoa amada, que para proteger os terrenos onde passam as veias que transportam o ‘ouro negro’ haja pessoas que matam outras… que o preço de ter combustível para meu automóvel seja, de tempos a tempos, haver acidentes que provocam derrames que poluem oceanos, praias e matam tudo o que neles vive e não está apto a reagir à massa negra peçonhenta que invade o seu lar…
O que mais odeio é estar enleado nesta mesma teia de tal forma que passo a maior parte do meu tempo a trabalhar, para ter o dinheiro com o qual pago a comida proveniente de campos de pasto e cultivo que outrora foram o local de caça e pasto de animais não domésticos… e tiro tempo ao meu “tempo livre” para estudar de modo a vir a ter no futuro um ordenado que me permita comprar o carro desejado que vai contribuir para o efeito de estufa (mesmo sendo um híbrido!) e ter ‘aquela’ casa inserida num dos troncos que constituem a selva de betão… odeio mesmo ser um dos milhões de causadores indirectos da desflorestação, da extinção de espécies da fauna e flora deste planeta que há uns milhões de anos era puro, imaculado, cândido. Pois apesar de não ser a minha mão que corta a árvore, que mata o leão, o elefante ou a baleia… é por causa de eu usar papel, comer o que é cultivado na terra onde havia selva, alimentar-me de animais de pasto que os carnívoros cobiçam, que há mãos que matam e cortam e escravizam! Odeio ser um dos passageiros deste comboio desenfreado que só vai parar quando os recursos deste planeta se esgotarem. Odeio o facto de, estando preso dentro desta armadilha, não ser possível viver, só viver – acordar com o sol em vez do despertador, sentir relva sob os pés em vez de alcatrão e cimento, respirar ar puro em vez de poluição, olhar e ver o que a natureza criou em vez da selva urbana criada pelo Homem…
Viver assusta!
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