quarta-feira, março 18, 2009

Será o amor mesmo cego?



Quando um casal se separa, seja qual for o motivo, é banal ouvir-se cada um dos membros dizer “estou melhor assim... só!”. O que é perfeitamente normal pois, se a relação terminou é porque as coisas não estavam bem e há mágoa, ressentimento e desejo de distância em relação ao outro. Quando termina uma relação na qual investimos e na qual tínhamos expectativas e esperanças, o mais normal é querer passar tempo sozinho e fazer uma introspecção de modo a reencontrar o equilíbrio e a paz interior necessária ao bem-estar de qualquer ser humano!

Mais anómalo do que o alívio que cada membro do casal sente por “já não ter que aturar mais aquilo”, é as pessoas que estão ao seu redor, e que conhecem a situação, partilharem dessa mesma opinião. É bastante comum ouvir algo do género “estás melhor assim, não era a pessoa indicada para ti”. E cada um, depois de separados, tem tendência a convencer-se que isso realmente é verdade, de modo a acreditar que está melhor agora, sem aquela que já foi a pessoa amada, do que estava quando partilhava a passagem por este planeta, inóspito e hostil, com o ser junto do qual tudo tinha solução e se sentia sempre bem e feliz...

Ficam sempre mais frescos na memória os últimos tempos do relacionamento, aquelas últimas semanas ou meses em que a relação se degradou ao ponto de já não ser possível recuperá-la. A lembrança que fica gravada mais fundo é sempre das coisas de que abdicámos por não sermos livres e desimpedidos, por termos de pensar no outro para além de nós próprios… é sempre difícil esquecer (e perdoar) os aspectos menos positivos, as mágoas… quase ao ponto de já nem sobrar espaço nas gavetas da memória para todos os momentos íntimos de ternura e carinho partilhados a dois, as viagens, as gargalhadas, os pôr-do-sol e os arco-íris vistos abraçados… se ao menos o holofote da memória se desviasse para tudo isso em vez de focar os poucos (mas marcantes!) momentos maus, talvez ficasse claro que as coisas más do final de cada relação (mesmo que se arraste durante meses até terminar…) não passam de grãos de areia insignificantes relativamente à montanha de coisas boas edificada a dois enquanto estiveram juntos!

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